terça-feira, 17 de setembro de 2013

Pluie, Paris


"Paris é muito mais bonita sob a chuvaGil (Owen Wilson) em Meia-noite em Paris.

Eu escuto a chuva cair enquanto observo a janela que mostra um céu acinzentado. Os telhados também cinzas me dão um vislumbre de onde estou. Já a certeza vem com a vista de outro elemento do cenário: a Torre Eiffel.

Há um mês que estou aqui e ainda não me acostumei com a beleza e delicadeza da cidade luz. Desde pequena sempre almejei viver neste paraíso e hoje posso considerar esse objetivo alcançado. Há dez anos atrás eu diria que neste momento a minha vida estaria completa, que eu poderia deitar-me todas as noite pensando que tudo estava perfeito, mas nada é como esperamos. Reviro-me na cama de casal, aquela que sempre me pareceu grande demais e agora sem o corpo dele próximo ao meu parece ainda maior e mais fria. Foi uma decisão fácil em termos de escolha porém acarretou consequências emocionais dificílimas e dolorosas de uma forma que eu jamais imaginei que seria.

Coloco o meu livro de lado, o livro que ele me deu, e repousei minha cabeça no travesseiro, pois ela doía como de costume. Decidi então deixar de lado a melancolia, passear na chuva, como nós costumávamos fazer, me faria bem. Visto uma capa de chuva, calço um par de galochas e pego um guarda-chuva. Desço as escadas do pequeno baixo prédio e finalmente coloco o pé para fora. Já não era mais uma chuva fraca, e sim um temporal.

Atravessei a rua para admirar a galeria de arte que ali se encontra. Como ele detestava me fazer companhia nessa exposições. Ele dizia-me que sou muito demorada, que ficava muito tempo em uma mesma obra. Eu reclamava e mesmo balbuciando algumas palavras de protesto ele me acompanhava. Após os passeios almoçávamos ou jantávamos em um bom restaurante e discutíamos política e filosofia. Ás vezes nos encontrávamos só para ouvir a movimentação das ruas. Quando em uma tarde contei a  ele que seria transferida para a França, ele passou a detestar um país que já não apreciava muito. Não entendo o motivo, já que essa capital cultural é tão bela. Assim, na chuva, refletida no vidro deste local que arte vende, percebo o quão poética essa cena é.

Fecho meus olhos, sentindo que atrás de mim surge um homem, loiro, alto, trajado elegantemente. Ele tem um bouquet de lírios rosas nas mãos e sorri. Abraçando-me ele diz que sempre teremos Paris. Abro os olhos para ver que não era o distinto cavalheiro que me abraçava, mas sim a cidade, como se me dissesse 'bem-vinda ao seu novo lar'.


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