domingo, 8 de setembro de 2013

Táxi Amarelo

Comentei no post anterior sobre o meu sonho de ser pedida em casamente na frente da Tiffany&Co de Nova York. Escrevi um texto sobre isso há algum tempo atrás após uma conversa com as minhas amigas sobre o assunto. Espero que gostem.

Acordamos todos os dias pensando que estes serão como todos os outros. Hoje, não foi diferente. Acordei cedo, como sempre faço e observei-o dormir. Seus cabelos loiros colados no rosto, resultado de ontem a noite, movem-se junto com a sua respiração.

- Mon amour... Está na hora de acordar... - sussurro em seus lábios.

- Você e o seu hábito de acordar cedo... - ele abre os olhos.

- Achei que já havia se acostumado... - rio, do seu mau humor matutino.

- Vou precisar de mais um tempo... - ele levanta e anda em direção ao banheiro. - Vem comigo?

Sorrio, considerando a ideia e recordo-me da última vez em que aceitei sua proposta. Não fui trabalhar.

- Infelizmente tenho que recusar, monsieur. Tenho alguns compromissos agora cedo - saio do quarto, para não escutar a sua reclamação. E claro, para não cair em tentação. - O café está servido na cozinha. Estou saindo.

  Ele sai apressadamente pelo corredor, com uma toalha enrolada no quadril.

- Já? - ele parece parece surpreso.

- Sim... - beijo-o e tento sair antes que ele me impeça.

- Podemos almoçar juntos? - ele me olha esperançoso.

- Hmm... Já que você insiste... - rio e saio, mas dou uma meia volta, esticando a mão e puxando a sua toalha. - Isso é desnecessário!

Minha última visão foi ele parado, com a toalha no chão, me encarando ainda abismado.
...

A manhã se arrasta, e a única coisa que me preocupa é ter que avisá-lo que não poderemos almoçar juntos.
Mando uma mensagem, não aguentaria escutar a sua voz de decepção. Não adiantou, ele me liga da mesma forma.

- Por quê? - não sei se sua voz soa mais irritada ou magoada.

- Almoço de trabalho. - digo apreensiva. Não pergunte com quem. Não pergunte com quem.

- Com quem? - ele já sabe a resposta.

- Você sabe a resposta. - pronto. Vai começar a falação.

- Claro, com quem mais poderia ser? - ele está irritado. Muito irritado.

- Preciso desligar... - e assim o faço. Só escuto o começo do seu protesto. Era algo como 'Não ouse fazer isso'...

O dia passa, e nuvens começam a encobrir o céu e começo a escutar os trovões e as rajadas de vento. Droga. Eu vim a pé. Como todos os dias. Dá o horário de voltar para casa, então eu pego o meu guarda-chuva e resolvo enfrentar o temporal. Não, eu não vou ligar pra ele. Tenho meu orgulho. Odeio quando ele não confia em mim. Como se não fosse ele o conquistador da história. Até parece que eu já esqueci.
Meus pensamentos desaparecem ao vê-lo parado em frente ao táxi, segurando um guarda-chuva.

- Me desculpe... Eu... - é, ele não é bom em pedir desculpas. Como se fosse necessário. Ele dá aquele sorriso constrangido, que me deixa mais constrangida ainda.  - Vamos para casa?

- Se o congestionamento deixar... - rio, beijando-o de leve. - Tenho uma ideia de como podemos aproveitar esse trajeto...

Ele abre a porta do carro, empurrando-me para o canto do carro.

...

- Estamos faz mais de uma hora aqui! - olho pela janela. Estamos em frente à Tiffany&Co. Ele olha também. Sei que ele está observando as alianças na vitrine. Eu também estou. - E não vamos fazer isso tão cedo...

- Senti uma certa ambiguidade em sua fala... - ele parece estar novamente constrangido.

-  Se você interpretou assim... - estou irritada. Odeio quando ele começa com esse assunto. Ele respira fundo, e abre a porta do carro.

- Onde você está indo? - saio atrás dele.

- Fazer uma coisa que eu deveria ter feito a muito tempo.- O seu terno já está todo molhado. - Eu sei que não era assim que deveria acontecer, mas... Nós estamos aqui, na frente da sua joalheria preferida, com a aliança que eu sei que você já escolheu, e daqui a algumas quadras tem um cartório. Já compramos a passagem para o Expresso do Oriente, então por quê não fazer dessa viagem a nossa lua-de-mel?

Ele ajoelha-se em minha frente, e já há pessoas olhando. Um louco, na chuva, ajoelhado e ainda falando português... Não podia ser mais estranho. Não podia ser mais eu. Não podia ser mais nós.

- Aceita casar comigo?



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...