sábado, 18 de janeiro de 2014

Minha série favorita: fútil ou feminista?



Antes de dar uma chance à renomada produção da HBO, eu achava que era somente mais uma série a qual retrava adolescentes ricas em seus dramas pessoais (não que eu não goste desse tipo de série, afinal, só me restam duas temporadas de Gossip Girl e quatro de Beverlly Hills, 90210). E eu não poderia estar mais enganada. Claro, o tais dramas pessoais estão lá, porém há muito mais do que isso. Para começar, não são adolescentes ou jovens recém formadas as representantes do quarteto mais estiloso da TV. São quatro mulheres que, apesar das dificuldades e negações, estão a procura do amor na ilha de Manhattan. Mas elas não querem só amor. Elas querem casamento, carreira, filhos, roupas, sexo, sapatos, romance, amizade, liberdade. E se algo que Carrie Bradshaw, Charlotte York, Miranda Hobbes e Samantha Jones, um grupo de amigas que mais se assemelha a uma família,  tem em comum é a liberdade de expressão, o que certamente colaborou para elevar a classificação indicativa da série. 

Tudo se passa conforme a narrativa de Bradshaw, colunista em um jornal de Nova York. É em sua escrita que ela relata as suas experiências e de suas amigas, questionando muitas vezes os padrões previamente impostos pela sociedade basicamente em um quesito: homens. E é nesse ponto que surge a polêmica: essa é ou não uma série feminista? Ela pode sim mostrar mulheres bem-sucedidas e fabulosas vivendo em uma cidade mais fabulosa ainda, mas mesmo assim elas buscam incessantemente alguém do sexo oposto e consequentemente falam quase que somente sobre isso. Ao fazer pesquisas a respeito do assunto, vi opiniões completamente opostas em relação a trama, incluindo trabalhos acadêmicos sobre o assunto, e acabei tirando minhas próprias conclusões, não muito diferentes daquelas que obtive após terminar o segundo filme. 

Sex and The City pode não ser passar pelo Teste de Bechdel (aquele que para comprovar se um filme é feminista ou não, exige que ele tenha no mínimo duas mulheres com nome, as quais conversam entre si sobre um assunto que não seja um homem) muito facilmente, mas por outro lado ele fala sobre diversos tabus e abre um mundo onde mulheres falam sobre sexo naturalmente, sem serem necessariamente consideradas promíscuas. E tudo isso com grande estilo, já que o trabalho de Patricia Field já foi inúmeras vezes premiado e é citado em livros de moda devido a sua grande influência nos espectadores. A moda foi utilizada como meio para expressar individualidade, no quesito emocional, intelectual, profissional, amoroso, sexual, tudo o que rodeia o mundo feminino através dos séculos e que a série faz questão de mostrar de um jeito totalmente irreverente e único. 

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