quarta-feira, 9 de julho de 2014

O que a Alemanha tem que o Brasil não tem? - Uma análise mais sociocultural que esportiva.


Getty Images

Fernweh, palavra em alemão (irônico, eu sei) que significa 'saudades de um lugar que nunca esteve'. Bem que poderia ser sentimento de 'patriotismo' por um país que não é seu. Não digo que eu estava torcendo para a Alemanha, só que eu acompanhei aos jogos tedescos com tanta assiduidade quanto aos brasileiros. Afinal, sonho em aprender tal língua, em conhecer tal país. Acho que eles me conquistaram com duas expressões idiomáticas, uma própria e outra criada pela revista Superinteressante. Uma, wanderlust, desejo incontrolável de viajar, conhecer o mundo, muito utilizada por mochileiros. E a outra, publicada em uma reportagem de março de 2013, 'Paris é sempre Paris, mas Berlim nunca é Berlim'. O charme alemão foi muito bem colocado nessa frase. Qualquer amante da história admira as adversidades pelo qual  a nação passou. Unificação, industrialização, guerras, crise, divisão. E ainda é a quarta maior economia do mundo, com o quinto maior IDH e sendo sua chanceler considerada a mulher mais influente do planeta. Terra de Bach, Beethoven, Brahms, Wagner, Dürer, Kant, Marx, Engels, Schopenhauer, Nietzche, Grimm, Goethe, Dietrich, Lagerfeld, Gutenberg, Einstein e hoje, principalmente, de Löw, Klose, Lahm, Müller, Schweinsteiger, Özil, Kroos, Khedira, Schürrle e outros companheiros de equipe. O Brasil foi humilhado, massacrado, depreciado, assassinado, chacinado, trucidado ou qualquer outro sinônimo que lhe parecer pertinente. Não entrarei nos méritos futebolísticos, até porque eu estou longe de ter condições de falar sobre o assunto.

Entretanto, me surpreendi com a educação dos torcedores que estavam no estádio. Sem vaias ao hino adversário, sem vandalismo, respeitando tanto a vitória, quanto a perda, era o que parecia visto da televisão. Então começaram a surgir as notícias: 'Ônibus depredados em Curitiba após derrota do Brasil', 'Bandeira brasileira queimada após fim de jogo' e eu finalmente saí do meu momento 'apagão' no qual esqueci a razão de muitos terem vergonha de ser brasileiros. Não por uma partida de futebol transmitida mundialmente perdida em casa com seis gols de diferença, mas sim pelo nosso famoso 'jeitinho'. Aquele que fura a fila, estaciona em vaga deficiente, que quer ter vantagem em tudo e que destrói patrimônio coletivo para mostrar sua 'revolta'.Não podemos ser hipócritas e alienados em dizer que não exitem falhas no estilo de vida germânico ou virtudes no nosso, mas temos muito o que aprender. E talvez essa perda seja um bom começo.

Um comentário:

  1. Deixa eu te contar que eu AMEI "Fernweh", "wanderlust" e a frase. Eu também sonho em aprender alemão, apesar de eu ter algumas línguas na frente.
    e essa lista de infinitas personalidades incríveis que são alemãs? É até ignorância alguém ouvir falar da Alemanha e só pensar no nazismo.
    Não torci para os alemães na final porque eu queria que um latino americano vencesse a Copa, mas reconheço que eles jogaram melhor e foi bem merecido.
    E sobre a questão do Brasil, te digo que eu fiquei extremamente revoltada! Ridículo! temos saber pelo o quê protestar!

    Bjsssss

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