quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Sobre quando eu perdi a minha pulseira favorita


Quando eu fiz 15 anos, eu não quis uma festa. Quando eu fiz 15 anos, eu não quis um anel. Ao invés disso, ganhei de meus pais um intercâmbio de férias. Ao invés disso, recebi a notícia de meus pais contada com ajuda de uma pulseira. Não era uma pulseira qualquer, era uma pela qual eu já havia demonstrado interesse: uma Life by Vivara. Nela estavam quatro pingentes: uma carruagem da Cinderela, por ser a historinha que meu pai me contava todas as noites em que ele estava em casa. Uma coroa, para lembrar a minha paixão pela monarquia e pela história. E uma bandeira do Reino Unido e uma Torre Eiffel, para representar os lugares que eu viria a conhecer. Eu a usava todos os dias. Para ir a escola, ao shopping, ou qualquer outro lugar. Nos últimos meses, eu até dormia com ela. Afinal, ela trazia ali a lembrança daquilo que muito me é importante.

Até que chegou um dia muito esperado, o da formatura da minha melhor amiga, em Londrina. Decidi não levar nenhuma jóia além daquelas que eu usava de costume, os berloques e um anel de pérolas. Não queria perder nada, pois sou muito apegada àquilo que me presenteiam. Estava tudo muito bem, estávamos nos divertindo muito. Fomos ao salão juntas, tiramos muitas fotos. Ao colocar a pulseira de identificação da festa no pulso esquerdo, vi pela última vez a minha Vivara. Ao chegar em casa após uma noite maravilhosa, fiz como de costume um 'ritual' para sempre que era necessário molhar as mãos: tirar o anel e passá-lo por dentro da pulseira, para não perdê-lo. Mas naquela noite, não foi possível. Foi só então que dei falta daquele objeto que era tão importante para mim. Não pelo valor comercial dela ou algo do gênero. Era por tudo aquilo que ela significava. E eu chorei, e não foi pouco. Eram três e meia da manhã e eu estava aos prantos no telefone com a minha mãe. Ela ligou no local onde o baile ainda acontecia e lá foi anunciado a perda. O acontecido foi postado nas redes sociais. E nenhum retorno. Como eu já esperava. Já esperava a desonestidade alheia. A desonestidade e a ganância. Deixei a cidade com uma sensação ruim. Enquanto o avião decolava eu só conseguia pensar naquele bracelete que eu estava deixando.
Quando cheguei a Curitiba meus pretendiam me fazer uma surpresa de Natal, me
Até que meu pai chegou em casa e após demonstrar tanta preocupação ele  foi pesquisar na internet e encontrou não uma, nem duas, mas muitas reclamações acerca da Life by Vivara. Muitas pessoas perderam seus berloques ou toda a peça devido ao fecho mal projetado. E a joalheria está  ciente disso, pois lançou uma trava de segurança. Ficamos indignados. Não é justo. Não pelo preço, mas por toda a situação pela qual eu tive que passar. Pode parecer fútil, mas para sim teve importância. Não era só um objeto a ser substituído, mas uma peça com história.
À Vivara, só me resta dizer que ao meu ver, faltou honestidade da parte da joalheira a qual eu tanto estimava. Além de que eu espero retorno à minha reclamação. Pois é muito fácil não avisar da importância da trava de segurança, para depois os clientes perderem a joia e a comparem novamente. Aos consumidores, se insistirem em adquirir essa peça, de ideia formidável, cuidado. E aos meus pais, só me restam milhares de agradecimentos por tudo aquilo que eles fizeram durante toda a minha vida e nesse momento de agitação. Minha mãe reconheceu toda a atitude e a preocupação de meu pai, e resolveu homenageá-lo com um pingente de pai e filha em minha pulseira. E quando a versão antiga, só posso dizer que há uma nova, mas que ela não será jamais esquecida. Pois foi a primeira, e assim como ela, os momentos  presenciados por aquele singular objeto, jamais serão substituídos.


Quando cheguei a Curitiba, meus pais pretendiam fazer uma surpresa de Natal, me presenteando com uma joia idêntica. Mas resolveram antecipar a entrega diante das minhas lamúrias.
Quando vi a embalagem sob a minha cama eu voltei a chorar. Não sabia se era de alegria ou de tristeza, pois eu jurei que não queria uma nova, já que não seria a mesma. Minha mãe precisou muito falar para me acalmar. Ela me entregou então os novos pingentes que ela é meu pai haviam comprado para mim. Uma câmera fotográfica, mostrando meu amor pela fotografia, e uma bandeira da Alemanha, representando a última língua que eu iniciei. Ela explicou que tudo não passava de uma simbologia, mas isso eu já entendia. Apenas não compreendia como isso poderia ter acontecido sendo que eu tomava tanto cuidado.




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