quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Sobre um dos piores filmes ao quais eu já assisti


Não estou dizendo para você não ver o filme.
Estou dizendo que esta escala Pantone é mais interessante que a produção.

Dizer algo inédito sobre o filme Cinquenta Tons de Cinza é uma tarefa árdua. Afinal, diversos pareceres já foram feitos por psiquiatras, cinéfilos e feministas. E eu não possuo autoridade para contestar o argumento de nenhumas dessas áreas. Entretanto, posso julgar a produção como uma mera espectadora a qual foi ao cinema em uma quarta-feira cinzenta em busca de entretenimento com as amigas. Talvez eu já estivesse com espírito crítico, esperando uma péssima adaptação de um livro já não muito bom. Mas ele se superou. Conseguiu ser pior do que eu imaginava. Se você acha que os atos do protagonista, Christian Grey, são uma tortura, é porque não assistiu ao longa. São aqueles 127 minutos de duração a verdadeira tortura e o verdadeiro teste de resistência. Pois você fica tentado a deixar a sala de projeção, nem que se for para comprar uma pipoca. Quando você retornar, não terá perdido nada.

Tudo começa com um jogo de imagens comparando o estilo de vida do milionário Mr. Grey com a formanda Anastasia Steele. E cinza, muito cinza. Ela precisa entrevistá-lo como favor a uma amiga que está doente. Ele acha adorável o modo como ela cai ao entrar no escritório. Nós rimos da cena absurdamente forçada. E também dos fraquíssimos diálogos, cujos momentos de comédia se resumem a pergunta acerca da sexualidade do empresário (isso deveria se enquadrar em comédia?) e Ana levando sustos com a aparição quase fantasmagórica do namorado. Ou seria seu contratante? Afinal, quando apresenta seu estilo de vida 'peculiar' a ela, ele exige um contrato. E as suas cláusulas são discutidas por e-mails e mensagem de celular que aparecem na tela como o meu aparelho televisivo avisa que entrará em modo stand-by. Uma reunião ocorre para esclarecer as dúvidas que restaram, e a sala escolhida para a sua realização tem um ar intimista, como se tivesse saído de uma cena do filme Incríveis, da Disney.

Comentários ardilosos postos à parte, o filme Cinquenta Tons de Cinza só pode ser descrito como uma incompetência despropositada. Não corresponde à polêmica que criou, nem chega a ser um filme totalmente voltado para adolescentes. Vela cenas eróticas com troca de cenas como um filme de censura baixa, ao mesmo tempo que se declara 'revolucionário'. É insatisfatório quase que do começo ao fim, parecendo que a todo momento você ainda se encontra no décimo minuto de filme. Do todo, só se salva a trilha sonora. E o final, em que você se choca com o desfecho da trama e finalmente celebra o fato de poder ir embora.

E me perdoem pelos trocadilhos toscos no meio do texto. Eles só não são piores que o filme em si.

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