quarta-feira, 18 de março de 2015

Capítulo 3, Cinco Meses ou o Porquê Eu Escolhi RI


Faltam cinco meses. É o que o calendário diz e o que o título deixa subentendido. Daqui exatos cinco meses, eu estarei embarcando em um avião, rumo a minha nova casa. Afinal, serão três anos lá. Tempo suficiente para Coimbra ganhar o título de lar, doce lar. Quando me perguntam sobre para que eu estou animada (não que me façam muito essa pergunta), a resposta é sempre a mesma: para as aulas. Sim, as aulas. Estou louca para ter Língua Francesa I, História das Relações internacionais I, Ciência Política, Economia, Metodologia de Pesquisa, Teoria Política I e possivelmente Língua Alemã I (ainda está sujeita à aprovação como unidade curricular independente). A minha vontade de descobrir as bibliotecas das universidade e como realmente funciona o sistema de avaliação da FEUC, são o que me deixa mais ansiosa. Mas ainda faltam cinco meses, eu preciso ocupar o meu tempo. E eu fiz uma promessa já não mais tão pessoal, de continuar a escrever para o blog, mesmo quando eu estiver lá. Mas como eu já preciso me acostumar, vou unir o útil ao agradável, matando dois coelhos com uma cajadada só (eu acho que eu já disse, mas não custa repetir. Eu adoro ditados populares, frases de efeitos e falas clichês).

Eu pretendia fazer esse post somente quando as aulas já tivessem começado, para poder dar uma real noção do que é o curso de Relações Internacionais. Mas passada a meia-noite, me surgiu uma ideia, e eu tive que começar a escrever. E se eu deixasse registrado aquilo que eu pensava que seria o curso de RI, para depois comparar com o que ele de fato é? Até porque, eu escolhi o curso baseada muito na minha fértil imaginação.

Acho que a primeira vez em que eu cogitei fazer esse curso foi na oitava série ou no primeiro ano do ensino médio. Nada muito antigo, nada como jornalismo, que vinha de anos antes. Não me lembro de quando ouvi falar nele, ou a razão de eu ter desistido depois. Só aconteceu, vieram outras opções. Direito, arquitetura, economia, jornalismo, museologia, história, artes, história da arte, administração, negócios internacionais, ciências sociais. As opções eram muitas, por isso decidi ir à feira de profissões que o meu colégio promove anualmente. Comecei com um júri simulado de direito. O caso sendo discutido era de uma assassinato que aconteceu aqui em Curitiba. Relativamente interessante de assistir, definitivamente algo que eu não gostaria de fazer. Passei então para uma simulação de Relações Internacionais, promovida pelo Unicuritiba, minha ex futura faculdade. E foi maravilhoso. Discutimos quais seriam os próximos objetivos do milênio, cada grupo representando um país de diferentes níveis socioeconômicos. Recordo-me que eu era a Alemanha, e que alguns dos outros países eram Brasil, China, Índia, Estados Unidos e França. Me senti convencida durante meses a cursar Relações Internacionais na instituição privada e Ciências Econômicas na Federal. Até que chegou o dia da inscrição da UFPR e eu vi que Economia, naquela ano, teria prova específica de história e matemática. E eu entrei em pânico. Não me levem a mal, mas eu sabia que eu não estava preparada para uma prova específica de matemática. Nem nunca estaria, eu sou hedonista demais nos estudos (e na vida. E sim, eu sei que isso é um grave defeito) para estudar todo o conteúdo dessa matéria com a qual eu tenho tanta implicância. E eu sei que o fato de eu ter desistido sem ao menos tentar, chateou muito a minha mãe. Ela que acredita que eu me sairei bem em tudo o que eu decidi fazer (mais do que uma mãe comum, acredite). Então eu aproveito aqui mais uma oportunidade de pedir desculpas a ela por isso, eu sei que ela lerá isso. Ela sempre lê o que eu escrevo. No final, eu acabei fazendo vestibular para Ciências Sociais. Fui aprovada, mas não me matriculei.

Só tive realmente certeza de que faria RI depois de matriculada no Unicuritiba. Tudo bem que foi tudo muito rápido. Durante uma aula de química, eu decidi olhar se os vestibulares agendados já estavam com inscrições abertas. E estavam. E justamente o que eu mais queria, tinha prova para o mesmo dia, no fim da tarde. E depois de um dia inteiro de aula, fui fazer a prova. E no dia seguinte eu recebi o resultado positivo. E no outro, já estava matriculada com a primeira mensalidade paga. Como eu já era oficialmente aluna, o coordenador do curso convidou convidou a mim e a todos os outros alunos aprovados para assistirmos a uma rodada de palestras sobre Direitos Humanos. E foi mais que maravilhoso. Enquanto os professores falavam, gesticulavam e explicavam conceitos como de crime de guerra e de refugiados internacionais, eu conseguia me imaginar no futuro, escrevendo, trabalhando e lecionando sobre isso. E foi mágico. Tanto que quando surgiu a oportunidade de estudar na Universidade de Coimbra, eu só cogitei ir quando vi RI na lista de cursos que aceitavam a nota do ENEM. Pois a licenciatura em Relações Internacionais  - equivalente ao nosso bacharelado -  tem como três principais pilares Economia, Política e Direito, três assuntos que me interessam muito. Além disso, conta com uma vasta área de estudos em história, sociologia e obviamente, línguas estrangeiras, uma das minhas paixões.

Mas quando penso no motivo de ter escolhido Relações Internacionais como carreira, um fator um pouco egoísta, mas nem tanto, vem a minha mente: o fato de eu tender à megalomania. Não sei se foram os livros, os filmes, as aulas de história ou o excesso de autoconfiança, mas não consigo me imaginar trabalhando com algo cujo impacto seria em pequena escala. Não estou desvalorizando nenhuma profissão, apenas constatando o meu sentimento. Trabalhar na ONU, ser sócia de uma companhia aérea, ter uma fundação para crianças são atividades que envolvem o cotidiano de dezenas de milhares de pessoas. O impacto  que uma guerra, por exemplo, tanto explícita quanto velada em uma sociedade é imenso, e precisa-se de alguém para a analisar todos esses fatores, preocupando-se em reduzir os efeitos colaterais ao máximo de forma realista, que possa ser concretizada. Uma criança que recebe um incentivo intelectual pode ser um Mozart, um Einstein, um Van Gogh que seria desperdiçado, caso o incentivo e os meus adequados não fossem ofertados. Uma companhia aérea... Bem, uma companhia aérea é a empresa  que aluga automóveis em contos de fadas. Afinal,  não seria o avião a mais nova carruagem? Que transporta as pessoas para os seus destinos, para os seus sonhos. No meu caso, esse sonho tem nome. O curso de Relações Internacionais da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

5 comentários:

  1. Luiza,

    Parabéns!!! Adorei seu post!! Compartilhar sonhos, tomadas de decisões e expectativas sobre algo, com certeza é sim...atitude nobre. Aproveite imensamente essa oportunidade que sua família lhe proporcionou...
    Viva essa experiência como se fosse a única!!
    E sempre que possível compartilhe.

    Um super bj e boa sorte!!!

    ResponderExcluir
  2. Nossa, Luiza, esse seu último parágrafo me descreveu, em parte. Eu também sou megalomaníaca assim! Meu sonho dourado é ser diplomata - e eu tenho razões muito patrióticas e humanitárias e meio piegas por trás disso! Estou tentando passar em Direito pro ano que vem numa federal, de preferência na unb (que é outro sonho meu desde os 14 anos) pra depois seguir meu rumo trabalhando com relações internacionais também.

    Na primeira vez em que li sobre a Universidade de Coimbra aceitando alunos com base na nota do Enem me interessei bastante - afinal nenhuma universidade brasileira é tão antiga quanto ela, deve ser uma experiência única estudar lá - mas não deu pra considerar com seriedade me inscrever porque minha família não tem grana para tanto! Você é muito sortuda por ter essa oportunidade. Estarei esperando por seus posts desde terras portuguesas, pra poder viver um pouquinho deste sonho, nem que seja só na imaginação (fotos também ajudariam! Poste fotos!)...

    Ah, não poderia deixar de comentar o quanto não creio que você não seja a pessoa mais estudiosa do mundo, porque seu jeito de escrever é lindo e revela muita cultura. QUE INVEJA! hehe

    Abraços e boa sorte!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Mari (posso te chamar de Mari?)!

      Adorei saber que você quer se tornar diplomata! Somos amigas no Facebook tem algum tempo, mas eu desconhecia essa informação! Não acredito que a sua razão para seguir essa carreira seja clichê. No máximo um clássico, como um filme da Audrey Hepburn! Haha

      Sabe que se eu pudesse escolher duas faculdades do Brasil para estudar devido a minha admiração, uma delas seria certamente a UnB. A outra, a USP. São duas universidades maravilhosas e com um excelente campo em Relações Internacionais (especialmente a UnB). Quando eu li sobre Coimbra pela primeira vez, eu descartei a hipótese justamente por causa do valor. Foi só na segunda vez que nós consideramos a ideia aqui em casa. Olhando bem os valores, para ver se dava mesmo para eu ir. Até porque o valor da mensalidade não é fixo, devido a cotação do euro. Mas por enquanto está tudo dando certo! Daqui um ano eu vou poder falar se estarei mesmo dando conta das finanças! Haha

      E pode deixar que eu postarei fotos sim! Por enquanto só tem uma papelada separada em pastas, mas assim que surgir algo interessante, eu fotografarei!

      Agradeço os elogios, mas tenho que ratificar o fato de não ser uma aluna exemplar. Eu sou extremamente preguiçosa, o que acredito que seja uma excelente justificativa. Mas eu gosto de aprender por outros métodos que não envolvam lição de casa! Haha

      Muito obrigada pelos seus comentários! Beijos!

      Excluir
    2. Ei! Claro que pode me chamar de Mari, sim! A Paloma também me chama desse jeito.
      Eu não costumo espalhar as minhas aspirações pro futuro entre as pessoas mesmo, porque tenho medo de que me botem pra baixo (tem muitas razões pra isso. É uma carreira bem complicada essa que eu escolhi), mas vi que temos bastante em comum, portanto resolvi contar. Pra maior parte das pessoas que me perguntam o que quero fazer da vida eu falo: DIREITO e pronto, acabou!
      Por falar em coisas em comum, acabo de perceber que sou como você em outro ponto: gosto de aprender, mas pelos meios tradicionais dá tanto trabaaalho!
      Como eu havia dito, estou esperando pelas suas informações sobre a vida na Europa. Até lá, vamos nos falando sobre filmes da Cinderela e coisas afins. A partir de agora vou tentar ser mais frequente no seu blog e comentar sempre...
      Beijos!

      Excluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...