quarta-feira, 29 de abril de 2015

Aos (imbecis) que pedem o retorno da ditadura militar, uma amostra em Curitiba

Foto por Silmara Quintino

Como uma amante da história e de histórias, pensava que nada poderia me contentar mais que reviver alguns momentos relevantes de nosso passado. Ouvir um concerto regido por Villa-Lobos, participar da Semana de Arte Moderna, não seria maravilhoso? Lamentavelmente, os meu pedido foi atendido de forma distorcida e a época revivida não foi das mais cordiais.

Uso de balas de borracha (impossível não lembrar do vídeo do Porta dos Fundos), de gás de efeito moral e da tropa de choque são só algumas das imagens que chocaram ao serem repetidas várias e várias vezes nos telejornais locais. Curioso também é o fato de um policial militar não portar em sua farda a biriba para identificação. Ao invés do nome, está lá uma tarja tão despropositada quanto a atual gestão do nosso estado. E como se não bastasse a violência física aplicada a um grupo de profissionais em busca de seus direitos, eles ainda precisam lidar com a violência moral vinda não só da governança, mas também de uma parte da população, que não apoia a causa dos educadores por motivos nem sempre razoáveis.

O maniqueísmo político no Brasil é ainda mais devastador que partido x ou partido y, apesar da crença de uma parcela da população. É uma doença, cujos sintomas são comentário ofensivos e cujo prognóstico pessimista é o um caos político eclodindo em guerra civil, como cogita um jornal espanhol.  E ela se alastra, tornando-se quase que uma epidemia a qual impede o desenvolvimento do país.

Pela internet e em meio a manifestações (já falei o que eu penso sobre elas aqui) um grupo de eleitores se exime de culpa quando se trata da atual conjuntura econômica com somente um dizer: a culpa não é minha, eu não votei no PT. Se analisarmos esse argumento, poderemos de forma lógica concluir que qualquer governo seria melhor que o do Partido dos Trabalhadores? O que dizer do aumento do IPVA e do ICMS, culpa também dos 'petralhas'? Não são os filhos dos adeptos dessa 'filosofia' alunos de escolas públicas para não se manifestarem a favor da luta dos professores? E se não forem, colocar-se no lugar do outro é um ato desconhecido? Ou é só porque a bandeira da CUT está estendida no carro de som que a causa deles passa a ser inválida? Então os direitos pessoais só se estendem até a sua crença política? É essa a sua definição de democracia? É você mesmo que está lutando para um Brasil melhor?

Além do grupo que apresenta suas opiniões legítimas e de forma pacífica, mesmo sendo proliferador de algumas ideias contraditórias, temos também aqueles que tem a coragem de sair às ruas com cartazes pedindo intervenção militar. Em inglês. Em um inglês mal escrito. E quando digo coragem, eu falo sério. Eu pessoalmente não a teria suficientemente para pedir por aí a volta da ditadura tendo passado pela escola e tendo conhecido o mínimo de história do Brasil. Até porque eu realmente não acredito que o militarismo seja hoje uma instância livre de corrupção e que esbanja moralidade. Não que na época da ditadura tenha sido. Eu não sei você, mas eu não considero combater opositores e eliminá-los sem deixar rastro algo muito íntegro.

Felizmente para esses caros compatriotas os quais acreditam que poderiam estar realizando uma passeata caso suas (estúpidas) reivindicações fossem atendidas, estaremos ofertando esta semana um pacote turístico para Curitiba. A viagem consiste em um safári urbano pelo Centro Cívico da cidade, onde se poderá viver em um universo paralelo durante as manifestações dos servidores públicos paranaenses. Esse universo baseia-se na tomada do poder pelo militares, em uma versão atualizada e modernizada do ano de 64. Estão inclusos no pacote os itens citados no segundo parágrafo: balas de borracha, gás lacrimogêneo, jatos d'água e spray de pimenta. Participação da Polícia de Choque e, caso a situação seja propícia, a reprodução do 30 agosto de 1988 de Álvaro Dias com o uso de cavalos reais!

Não perca essa oportunidade única! Postando uma foto com as hashtags #voltaditadura #intervençãomilitarjá, você concorre a uma viagem para duas pessoas, além de ter a chance de provar mais uma vez para todo a comunidade cibernética o quão imbecil você é.

Caso algum indivíduo se sinta ofendido com o termo 'imbecil', me desculpe. 
Ideias 'intensas', críticas 'intensas'. Sinta-se no direito de se manifestar. 
Ah, você não acredita em direitos individuais.   

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