terça-feira, 7 de abril de 2015

Sobre cursos de idiomas ou diversas declarações de amor


Esses são só alguns dos meus livros de línguas.
 E por alguns eu digo que devo ter mais de dez perdidos no meu guarda-roupa.
E meu guarda-roupa algumas vezes está tão desorganizado que no fim da bagunça
você poderia encontrar Nárnia.

Eu não sei ao certo como a minha paixão por idiomas surgiu, eu realmente não me recordo. Mas eu lembro de quando criança 'brincar de falar francês', pronunciando as poucas palavras que eu sabia com um sotaque muito artificial. 'Bonjour', 'je suis desolée', 'château', era basicamente isso que eu repetia até cansar. E então na quinta série surgiu a oportunidade de estudar uma língua estrangeira e a escolha era óbvia, não? Não para qualquer um que não fosse eu. 'Inglês é essencial', 'todo mundo fala inglês', foram frases que eu cansei de escutar. E eu cedi aos comentários, até porque o curso de inglês era muito mais barato. E eu aprendi a gostar, tanto que hoje não me imagino sem. Afinal, eu penso em inglês. Todos os diálogos que vem a minha cabeça, mesmo que se passem em uma situação em que esse não seria o idioma ideal.

Um ano depois, meus pais falaram que eu poderia fazer então o tão sonhado curso de francês. Optei por uma escola perto de casa, pois os horários eram  bastante corridos. No primeiro dia de aula eu era a única criança (doze anos ainda é criança, não?) em meio a um grupo de adultos, com uma professora cujas únicas palavras conhecidas em português eram Ilha do Mel e outra que não me recordo. Foi desmotivador. Vendo que eu não havia aprendido praticamente nada em cinco aulas, perguntei aos meus pais se eu poderia mudar para o Espanhol na InFlux, onde eu já fazia inglês e já estava acostumada com o método. E eles aceitaram.

O que eu escreverei agora, pode ser polêmico, soar mal ou ser uma inverdade daqui alguns anos, mas eu preciso ser sincera. Eufemizando, eu poderia dizer que eu não me relaciono bem com essa língua latina. Sendo direta, eu não gosto dela. Não sei se é o sotaque ou se não me sinto tão conectada com a cultura quanto deveria para fazer a tão necessária imersão com o idioma. E essa é a - triste - realidade. Fui até o final, e fui a única naquele ano a me formar tanto no curso de inglês, quanto de espanhol na minha unidade. Hoje, passados quase três anos, já perdi muito a habilidade de escrever e falar. Mas pretendo voltar a estudar, para não perder de vez essas competências.

Até que chegou o ano de 2012, e eu finalmente comecei a estudar aquela que é, sempre foi e sempre será, a minha eterna paixão: o francês. Inciei o curso na Aliança Francesa, e como aquele lugar me encantava. A biblioteca com livros, revistas, CD's e DVD's em francês poderia ser considerada uma alegre parte de um mundo triste. As professoras elegantes com um ar tipicamente francês rendiam uma boa observação. Mas por forças do destino, que nesse caso se chama ano de vestibular ou horário sobrecarregado do terceirão, eu mudei para o Centro Europeu. E essa é uma história de amor que merece um novo parágrafo.

Tudo começou com um curso e uma amiga louca. Louca porque queria aprender italiano para se casar com um mafioso (isso que dá ver muito Poderoso Chefão). Eu já tinha uma sequência mais ou menos inventada na minha cabeça, e a língua italiano parecia ser o próximo passo. Depois de muita pesquisa, optamos pelo Centro Europeu, mas em sedes e horários diferentes. E não teve como eu não me apaixonar por aquele antigo casarão, com um forte aroma próprio, e uma personalidade mais forte ainda. Se eu pudesse, eu moraria lá. Se eu pudesse, eu faria todos os cursos que eles oferecem. Por isso quando comecei o Alemão, não tive dúvidas, era lá que eu faria. Com uma política de descontos maravilhosa e aulas gastronômicas todo semestre, finalizei lá o nível B2 do italiano em um curso de intensivo só para mim. Não tem como abandonar o lugar, tem? Foi lá também que eu tive o melhor professor, não só francês, mas de idiomas em geral, do mundo. O método dele pode não ser convencional, mas funciona, especialmente para mim. Decorar verbos, fazer frases de níveis mais avançados e falar sobre a cultura francesa, tudo com uma pronúncia nada menos que perfeita. 

Agora imagine como foi o choque entre o sotaque francês para o alemão. 'Bahnrof', 'Krankenschwester', 'Sehenswürdigkeiten', 'Bundeskanzleramt'. E isso é só o começo. É só o segundo semestre. Como dizem por aí, a vida é muito curta para aprender alemão. E é justamente por isso que eu gostaria de ter começado mais cedo. Para hoje falar muito além de 'Guten Abend!'. Mas usando novamente um ditado popular, antes tarde do que nunca. Até porque, passar uma vida toda ser falar alemão, posso dizer que para mim isso já é somente existir. 

Mas essa é somente a minha opinião. A opinião da mesma pessoa que ainda quer aprender Russo, Árabe, Mandarim e Finlandês. Que não tem nenhuma dica genérica pra aprender um idioma mais rápido, pois acha isso extremamente pessoal. Que oscila entre o silêncio e a tagarelice na sala de aula. Que é muito preguiçosa e não gosta de tarefa de casa. Ou de ficar muito tempo no mesmo conteúdo. A mesma pessoa que agora escreve dizendo para você ir logo aprender uma nova língua, porque não é só um idioma. É uma nova cultura, uma nova viagem, uma nova vida.

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