segunda-feira, 11 de maio de 2015

Acho que não nasci para a lomografia

Uma das pouquíssimas fotos que deram certo,
 depois de uma manipulação digital básica.
Quando em Londres, enlouqueci por causa de uma câmera analógica. Na verdade, antes do tal julho de 2013, eu já estava de caso pensado para comprar uma máquina dessas. Quando encontrei uma Lomography na Newburgh Street, achei que era o destino me indicando que eu deveria aderir a essa tendência. O modelo escolhido foi uma Diana F+, que incluía o flash e mais duas caixinhas de filme (cada uma com três), um colorido e um preto e branco. Tudo isso saiu, mais ou menos, 100 libras esterlinas. Com a cotação de hoje, deu aproximadamente 475 reais. Mas eu estava contente, clamava ter sido a melhor aquisição da viagem, em meio a trinta livros, um vestido dos anos 20, uma mochila/saco da Segunda Guerra Mundial entre outras coisinhas mais.

Só que a fase da lua de mel com o meu novo objeto fotográfico passou rápido. Precisava aprender a usá-lo e acredite, não foi nada fácil. Ficamos dias para conseguir descobrir como colocava o filme e diversas pessoas tentaram. Até que alguém, que apesar de eu não lembrar quem sou muito grata a essa pessoa, conseguiu colocar o filme e fazer o dito do flash funcionar. Fotografei, fotografei e fotografei, com moderação, com a minha Diana. Praticamente só com ela, pois o meu interesse em fotografia naquela época não era dos maiores. 

Mas nada na vida é como nós esperamos. Depois de muito estresse pelo excesso de bagagem, a minhas malas não chegaram em São Paulo. Nem elas e nem a minha câmera que estava dentro. Após mais um pouco de estresse (confesso que foi muito, na realidade), entregaram tudo em casa. Sem cadeado, pois eu havia esquecido de colocá-los na correria, mas com tudo dentro. Ao menos eu não dei falta.

O tempo passou e nele a pressa esteve presente, o fazendo passar ainda mais rapidamente. Até que no final daquele ano, ganhei de Natal a minha tão adorada Canon. Fiz um breve curso de fotografia (como contei aqui), e a utilizei para registrar os mais diversos momentos de 2014. E a Diana ficou lá, como objeto de decoração em minha estante. Saiu de casa para exercer sua atividade somente duas vezes: foi até ao museu, e até à casa de uma amiga em uma festa do pijama (foto acima).

Somente algumas semanas atrás tirei os filmes de dentro da gaveta para finalmente os levar para a revelação. Nos enrolamos mais um pouco, e foi só no último sábado, nove de maio, que eles chegaram ao laboratório, mais especificamente, à Ibiza. Encontramos lá o melhor custo benefício: quinze reais pela digitalização de cada filme, mais um real por cada foto impressa. Eram dois coloridos e um preto e branco, e para o último, o serviço lá não era realizado. 

Quando fui buscar, ansiosa, as fotos, uma surpresa. Um dos filmes foi considerado 'inapto', não me recordo qual foi o termo utilizado. E do outro, só salvaram-se seis fotos. E infelizmente, sofreu perda total aquele com as fotos da viagem. Uma verdadeira lamúria.

Comecei então a pensar o que poderia ter levado àquilo. O tempo que esperei para realizar o processo? Uma possível exposição à luz dos filmes? Ou a minha própria incompetência em aderir ao movimento lomográfico?

Idealizado em 1991 por jovens vienenses que em Praga se encantaram com câmeras antigas, a lomografia consiste em uma fotografia livre, muitas vezes sem nem mesmo olhar através do visor. É fotografar o cotidiano, o acaso. E para uma pessoa que costuma tirar zilhões de fotos até encontrar a mais próxima do perfeito, isso pode ser um problema. Especialmente com o preço meio salgado dos filmes. 

Depois de passar pelos quatro primeiros estágios de uma 'tragédia', de acordo com Küber-Ross, cheguei à quinta e última fase: a aceitação. Conclui então que não nasci para a lomografia. Ou talvez seja somente falta de prática. E nessa última nós sempre podemos dar um jeito. Especialmente em Portugal, onde tantas coisas merecerão ser fotografadas. Mesmo em um clique completamente aleatório.

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