quarta-feira, 13 de maio de 2015

Eu, o Enem e a Nossa Redação.

Se a caligrafia fosse avaliada, eu estaria com um sério problema.

O Enem. Ai, o Enem. Questões longas, locais de prova aleatórios, estoque de comida, redações com receita de miojo. O que vem na sua mente quanto pensa nele? Eu não pensava, eu sentia. Preguiça. Dois dias consecutivos, para uma prova que eu provavelmente não iria nem usar. Mas eu me dediquei, por incrível que pareça, mais do que em todos os outros vestibulares. Se eu não fosse tão cética, poderia dizer que era um pressentimento acerca da utilidade do exame. E eu finalmente o utilizei para me candidatar à Coimbra.

Apesar das reclamações anteriores, o modelo de prova do Enem é o que mais me agrada. E a interdisciplinariedade é um fator de peso para que isso aconteça. Ainda distante do ideal, o programa pode colaborar para uma evolução do nosso falho sistema educacional que insiste em engavetar cada área do conhecimento. É claro que muito ainda precisa ser melhorado, tanto na educação quanto na formulação das provas, mas um tópico em específico merece um grande elogio: o tema da redação da última edição.

Polêmico e considerado difícil por muitos, a 'Publicidade Infantil em Questão no Brasil' fez a quantidade de redações zeradas aumentar consideravelmente. Além disso, o número de composições com pontuação máxima caiu quase pela metade. Obviamente, eu fiquei um pouco decepcionada por ter somado somente oitocentos pontos na proposta, mas c'est la vie. A competência na qual eu tive mais descontos foi a de número 5, aquela que envolve a proposta de intervenção. Posso ter sido superficial na apresentação de uma solução, mas não mudaria meu posicionamento. Não justificarei a escolha aqui, visando não interferir na leitura, e deixando que tirem suas próprias conclusões. Sem mais delongas, o texto.

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"Os presentes na Conferência de Bretton Woods, realizada próximo ao fim da Segunda Guerra Mundial em uma cidade dos EUA, não poderiam prever o alcance de suas decisões. Afinal, as bases do capitalismo foram lá decididas e esta forma econômica vigente atinge a todos os cidadãos do mundo. Todavia, uma discussão ganhou forças no cenário comercial e materno do país: uma possível regulamentação da publicidade direcionado ao público infantil, medidas que já existem em países como Inglaterra, França e Noruega.

Apesar do assunto não ser novo e de já ter sido destrinchado em diversas publicações escritas e cinematográficas, como no documentário 'Criança, a alma do negócio' {disponível no Netflix!}, a polêmica simplesmente não tem fim. E isso deve-se também ao fato de um questionamento desestabilizar argumentos que até então pareciam indissolúveis. Não deveria-se preparar a criança para fazer parte de um mercado consumidor ao invés de tentar afastá-lo dela? Neste caso, noções financeiras e econômicas de alguém entre a infância e a adolescência podem der comparadas a sua sexualidade. Coibir quando se pode instruir é na maior parte das vezes ineficaz, mesmo sendo o método mais fácil durante o processo educacional . O estabelecimento de sólidos valores éticos e morais, sempre plausivelmente embasados e ratificados, seguidos de exemplos intrafamiliares, são funcionais à longo prazo, tratando-se tanto de sexo, quanto de compras.

Infelizmente, nem sempre pode-se obter esses conhecimentos dentro de casa, então torna-se função do Estado utilizar a escola como instrumento de formação humana de seu povo. Aulas de educação financeira devem fazer parte dos projetos políticos pedagógicos desde a infância, bem como as aulas de educação sexual. Só assim reduziria-se o número de gravidezes precoces e de Rebeccas Bloomwoods nas próximas gerações do país."

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E você, já realizou alguma redação do Enem? Concordou com a sua correção? 
E o que pensa sobre a proposta do ano passado?

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